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por Luciana Saddi

 

Distúrbios Alimentares: uma contribuição da psicanálise

Lançamento do livro Distúrbios Alimentares: uma contribuição da psicanálise

 

O livro, Distúrbios Alimentares - uma contribuição da Psicanálise é o resultado de 10 anos de estudo e discussão clínica realizadas pelo Grupo de Estudo: Compulsões e Distúrbios Alimentares, na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Os 27 artigos contidos nesse livro representam o vigor e a singularidade da forma de pensar a clínica e a teoria na SBPSP.  

 

O livro é voltado para os profissionais que trabalham com estes casos e também para os interessados na metapsicologia iluminada à luz do atendimento psicanalítico.

 

Cássia Barreto Bruno - organizadora do livro

 

23 de agosto (19hs)

  

Na Livraria da Vila (Al. Lorena, 1731)

 

Escrevi um artigo para esse livro, junto com a psicanalista Leda Herrmann, vejam o início do artigo:

 

A Clínica Psicanalítica e os problemas alimentares - o ponto de vista da Teoria dos Campos

 

 

A clínica psicanalítica interroga o crescimento dos problemas alimentares e a complexa relação entre a psique e o mundo em que vivemos. Como considerarmos as chamadas novas patologias e a psicoplastia dos sintomas? Qual a técnica psicanalítica para alcançarmos transformações duradouras em nossos pacientes? Pois estamos diante de queixas recorrentes a respeito de sobrepeso, obesidade, bulimia e anorexia. Queixas também sobre as dietas que obrigam os sujeitos a grandes sacrifícios, com resultados que duram pouco. O presente artigo procura pensar e entrelaçar alguns eixos importantes que dizem respeito a algumas dessas questões[1].

 

http://www.psicorreio.com.br/emailmarketing/2011/agosto/LancamentoLivro/psicorreio.html



[1] A discussão aqui empreendida faz parte de dissertação de mestrado de Luciana Saddi, No Campo dos Problemas Alimentares: Uma Técnica de Tratamento Psicanalítico, defendida na PUC-SP, em 2007 e que teve a orientação de Fabio Herrmann.

Escrito por Luciana Saddi às 17h51

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Clamor do sexo II

 

Comentário da internauta Glória Gama: O que mais me comove é a sensação que permanece em nós depois que o filme termina. A sensação de estranhamento diante do inexplicável. Há certos mistérios no amor quando tudo conspira para que ele dê certo, mas não dá, e o contrário também. Concordo que existem fatores externos que contribuem para o fracasso do romance em questão, mas há algo além, há algo mais que faz com que pensemos, "simplesmente não era para ser". Isso nos consola? Provavelmente não. Tudo que consigo fazer toda vez que assisto ao filme (me acabo de chorar, e lamento profundamente a separação dos protagonistas), é justamente tentar encontrar as forças que o poema de Wordsworth sugere. Aliás, deveriam ter mantido o belo título do poema no filme. "Esplendor na Relva" é muito mais bonito, pertinente e convincente que "Clamor do Sexo". De fato, um filme inesquecível! Ainda com relação ao sofrimento causado pela dor da separação, há os que conseguem tirar algum proveito dessa situação, e há os que não. Para estes, recomendo a leitura do belo e convincente poema de Edna St. Vincent Millay, “O Tempo Não Traz Consolo”, tradução de Wáldea Barcelos.

 

O tempo não traz alívio; mentiram-me todos

os que disseram que o tempo amenizaria a minha dor!

Sinto sua falta no choro da chuva;

Quero sua presença no recuar da maré.

A velha neve escorre pela encosta de cada montanha,

E as folhas de outono viram fumaça em cada caminho

Mas o triste amor do passado deve permanecer
no meu coração, e meus velhos pensamentos perduram.

Há centenas de lugares aos quais receio ir

- por estarem repletos de lembrança dele.

E ao entrar com alívio em algum lugar tranquilo

Onde seu pé nunca pisou, nem seu rosto brilhou.

Eu digo: "Aqui não há nenhuma recordação dele!"

E com isso paro, arrasada, e me lembro tanto dele.

 

 

Luciana: Alguns encontram força no que ficou para trás e outros não se encontram nunca mais. Depois de terem vivido algo bom e forte, se perdem para sempre. Acho que o poema de Wordsworth fala sobre uma forma de enfrentar o luto: na falta, alimentar-se das boas experiências da vida e dos bons momentos. Dean e Bud poderiam se orgulhar do amor sincero vivido em sua juventude e seguir a vida cientes de serem honestos. Outros podem lamentar que a boa experiência terminou e viver apenas o vazio e a dor – não encontram força no que ficou para trás. Nem se tornam nostálgicos, somente deprimidos. 

 

 

Escrito por Luciana Saddi às 18h05

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Morte digna

 

Recentemente li uma reportagem sobre a morte do Hipopótamo fêmea, Tetéia, do zoológico de São Paulo. Ela estava doente e sem condições de continuar lutando pela vida, pois nem mais se alimentava, apesar dos tratamentos recebidos.

 

Os veterinários praticaram a eutanásia, para que o animal tivesse uma morte digna, ela já sofria muito, o objetivo era que morresse sem mais dor.  Também colocaram a filha de Tetéia, a hipopótamo fêmea, Sininho, junto da mãe, para que ela entendesse que sua mãe morria, afinal eram muito unidas e havia o risco de que Sininho parasse de se alimentar por causa da angústia.

 

A questão levantada por essa notícia é complexa. Por que um animal tem o direito a uma morte digna, sem mais dor, a eutanásia, e nós, não? Algumas vezes, até um condenado a morte parece ter um desenlace mais bem assistido, com cuidado em relação à dor, pois está sob o domínio do Estado. Quando morrer pelo agravamento de uma doença e pela perda da qualidade de vida é inevitável, surge a questão sobre a qualidade que esse processo deve ter. Qual a melhor forma de morrer sem dor?

 

Por que a filha do Hipopótamo fêmea pode acompanhar a morte de sua mãe, enquanto a gente nem consegue, muitas vezes entrar numa UTI e permanecer com os que amamos até o fim? Ninguém nasce sozinho, por que haveríamos de morrer sós? O desenvolvimento das tecnologias da medicina é assombroso, mas é necessário integrar, a esse avanço, a morte de forma digna. O processo de morrer não deve ocorrer na solidão de um hospital (quando possível), sem os que amamos ou de forma desumanizada – tanto para os que morrem, como para os que ficam.

 

Os veterinários no caso de Tetéia e Sininho foram muito sensíveis à importância de realizar uma morte digna e de realizar o luto. Já a nossa sociedade não parece perceber que a morte digna e que o trabalho de luto são necessários. É como se não tivéssemos um passe livre para falar da morte, da nossa própria morte e para lamentar os que morrem, para falar da perda e até para enlouquecer e depois se refazer dessa dor terrível.

 

Escrito por Luciana Saddi às 17h49

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SESSÃO DE CINEMA convida

 

Filme: LIXO  EXTRAORDINÁRIO

  3 de setembro, às 15:00 horas 

 Acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de retratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens revela a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a reimaginar suas vidas fora daquele ambiente. A equipe tem acesso a todo o processo e, no final, revela o poder transformador da arte e da alquimia do espírito humano.

Concorreu ao Oscar de Melhor Documentário de2011

Apos exibição haverá uma conversa com Manuel da Costa Pinto (jornalista)  e Plínio Montagna (psicanalista, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo) .

 

Inscrições:

http://www.psicorreio.com.br/emailmarketing/2011/setembro/LixoExtraordinario/psicorreio.html

Escrito por Luciana Saddi às 23h25

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Admirável Mundo Novo

 

Internauta: Ainda há espaço para a psicanálise diante do avanço da neurociência, que afirma que as situações por que passa o ser humano, antes ditas "psicológicas", hoje são consideradas "questões neurológicas"?

 

Luciana: A Psicanálise existirá enquanto houver alguém disposto a dizer ao outro: me diga tudo que lhe vier a cabeça, sem censuras. Se houver uma abertura para o desconhecido do outro e da relação que se estabelece é provável a psicanálise viver.

 

Sobreviverá sempre que a dor for insuportável e que alguém for tomado pela necessidade de falar (o indizível) e de ser escutado e levado a sério em sua singularidade – sem julgamento.

 

Sempre haverá a irrupção de um estranho sentimento de fragmentação ou de culpa à procura de compreensão – o mal estar habita o homem. E o que fazer com a necessidade de conversar sobre o fracasso, sobre o medo inconfesso de realizar escolhas, de enfrentar perdas, de viver, de crescer, de amar e de sexo? Sem contar o medo da morte e as repetições doentias. Nessas condições, em busca de um continente para o sofrimento, é possível a psicanálise existir.

 

Mesmo que as drogas venham a entorpecer as piores tormentas, embora devessem aliviar os sintomas. E mesmo que pudessem alterar nossos sentimentos, não creio que fossem capazes de alterar o desenho de nosso desejo nem aquilo que é marca registrada de cada um de nós.

 

Vale ressaltar que o prêmio Nobel, Kandel, afirma que as neurociências, até o momento, confirmaram as descobertas da psicanálise.

 

 

A Palavra Mágica

 

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

Carlos Drummond de Andrade, in.: Discurso da Primavera

 

Poema escolhido por Ana Tanis, psicóloga, bacharel em letras e curadora de poesia desse blog.

 

 

,
Admirável Mundo Novo, romance de Aldous Huxley que aborda o futuro de nossa sociedade. Um mundo dominado pela tecnologia, dividido em castas alteradas geneticamente e onde as gestações se darão em incubadeiras. Neste mundo os sentimentos são abolidos pelo constante uso de drogas.

Escrito por Luciana Saddi às 15h18

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O sofrimento à luz da psicanálise

Sei que sofrimento é algo fora de moda nos dias de hoje, foi-se o tempo em que o sofrer era idealizado, em que os jovens diziam com orgulho que estavam na fossa, por exemplo.

 

Nos nossos dias o sofrimento costuma ser negado, acredita-se que a beleza e a riqueza podem superá-lo. Mas alguns estudiosos pensam que o sofrimento é condição humana e não adianta negar sua existência. O filósofo Nietzsche, por exemplo, via o sofrer como algo proveitoso, desde que pudesse ser superado.

 

Já os psicólogos estudam a resiliência – a capacidade humana de superar os sofrimentos, de se restabelecer e deles tirar algum sentido. Nessa questão difícil teremos a companhia da psicanalista Aline Veiga, que escreveu recentemente um livro sobre Frida Kahlo (Frida Kahlo: um olhar sobre o sofrimento à luz da Psicanálise), artista mexicana que impressiona tanto por sua obra, como por sua história de vida. Ouçam o podcast:

 

 

  O Fale Comigo entra na programação da Rádio Folha todas as segundas, às 10hs, é reprisado nas quartas, no mesmo horário.

   Aguardo sugestões e perguntas de ouvintes enviadas para lusaddi@uol.com.br

Escrito por Luciana Saddi às 15h35

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Vida dura

...para a humanidade como um todo, assim como para o indivíduo, a vida é difícil de suportar.

Sigmund Freud

Escrito por Luciana Saddi às 18h08

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falecomigo Luciana Saddi é psicanalista e escritora. Foi titular da coluna Fale com Ela, publicada na Revista da Folha.


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